Copyright 2019 - Custom text here

MMDC

Martins, Miragaia, Drausio e Carmargo. Os quatro mártires no ataque da polícia de Getúlio contra o povo naquele distante 23 de maio de 1932, inspiraram a criação do MMDC, cuja sigla leva as iniciais de seus sobrenomes, uma organização civil que acabou a frente do maior Movimento Popular já ocorrido na historia Brasil e que culminou na Revolução Constitucionalista de 9 de julho daquele ano.

Já Orlando, seriamente ferido no mesmo ataque, veio a falecer meses depois e por um lapso ocorrido na época, não teve seu nome incluído na sigla.

Orlando de Oliveira Alvarenga, nascido em Muzambinho-MG no dia 18 de dezembro de 1899, era filho do Sr. Ozório Alvarenga e de Dna. Maria Oliveira Alvarenga. Deixou viúva Dna. Annita do Val e um filho de nome Oscar. Orlando faleceu em 12 de Agosto de 1932, em plena Revolução, num quarto do hospital Santa Rita, onde foi internado no dia 23 de maio.

Em 9 de julho de 1932, entretanto, o ambiente estava eletrizado na capital paulista. Por volta das 22 horas daquele dia, as pessoas que deixavam os cafés, bares e teatros, se depararam com as primeiras movimentações de tropas pela capital. Estudantes começaram a circular pelas ruas com fuzis a tiracolo. Soldados e viaturas iam, freneticamente, de um lado para outro.

Benedicto Chaves, repórter do jornal A Platéia, foi um dos primeiros paulistas a entenderem o que se passava. Ao sair pelas ruas em busca de notícias, passou diante do antigo prédio da Rua do Tesouro, onde estivera a Prefeitura, a Câmara Municipal e, depois o Fórum. Notou defronte e em seu interior uma grande movimentação de jovens fardados e a paisana. Resolveu entrar.

Em cima, como no pavimento térreo, cidadãos comuns faziam filas para preencher fichas. Homens, senhoras, jovens, arrastavam mesas, cadeiras, armários, e varriam o assoalho. Então o repórter perguntou – “O que é isso?” – Ao que respondeu um dos presentes: “É o MMDC. O posto central de mobilização que recebeu esta denominação em memória das 4 primeiras vítimas do Movimento Constitucionalista. Os jovens, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Aqui é nosso Quartel. Estamos inscrevendo voluntários para derrubar a ditadura”.

Em seguida o rapaz passou informações a respeito do funcionamento do Posto, do serviço de recrutamento de voluntários, diretores e outros pormenores.

O velho casarão do Largo São Francisco estava transformado num Quartel, numa “praça de guerra”. Os estudantes haviam trocado os livros pelo fuzil.

Ao mesmo tempo em que os civis empunhavam armas, os militares de São Paulo desembainhavam as espadas, reverenciando a Lei e o Estado de Direito. São Paulo iria lutar pela Constitucionalização do país.

O jornalista, pasmo, deixou-se cair em uma cadeira: “É incrível! Um exército do povo!”.

E o povo paulista, nas ruas, cinco dias antes da data combinada com os outros estados envolvidos no Movimento Constitucionalista, acabou por deflagrar a Revolução.