São Paulo é loteado

Na tarde-noite de 24 de outubro de 1930, São Paulo explodiu em revoltas. Correrias, princípios de depredação, de saques e agressões. Havia muita mágoa represada; muito ódio armazenado. A Junta Pacificadora, no Rio, aproveitou-se da situação e fez a intervenção em São Paulo.

Na madrugada do dia 25, a Junta nomeou como interventor o general Hastínfilo de Moura, comandante da Região Militar, em detrimento do Presidente do Partido Democrático Paulista, Francisco Morato, que tanto havia feito em pról da revolução.

Os Tenentistas cobravam seu preço: Exigiam governar alguns estados. Queriam, sobretudo, São Paulo. Entre atender seus aliados políticos em SP e manter ao seu lado os aguerridos Tenentes, Vargas escolheu os últimos.

O estado foi entregue aos Tenentistas. Detenções, substituição em massa de dirigentes municipais, empastelamentos e perseguições. Morrera a República Velha.

Enterraram-na com sabor de vingança e na verdade com muita esperança no futuro nacional. Por todo o Brasil pensava-se assim. O problema é que aqui, os líderes políticos alinhados com as causas de 1930 estavam alijados do poder. O lema de então era: “Com toda sua riqueza, São Paulo que arranje-se sozinho”. Começa o martírio de São Paulo.

O estado protesta, agita-se. Mas os vexames continuam. O sentimento de revolta começa a florescer, aqui e ali, até que começam a ser notadas perigosas fagulhas de insatisfação em todo o território paulista. E as fagulhas viram chamas.