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23 de maio – A revolta de um povo

Tudo começou com a eclosão da Revolução de 1930, quando apoiado por parte do Exército, os Tenentistas, em com grande apoio popular por todo o país, Getúlio Vargas derruba a “Velha República” e assume o poder, instaurando um Governo provisório e prometendo uma nova constituição e eleições gerais e irrestritas.

Cometeu um erro em São Paulo, no entanto. Entregou o estado ao “braço armado” do movimento revolucionário, os próprios Tenentistas. São Paulo não aceitou e os ânimos se acirraram.

Pressões se seguiram e os líderes paulistas que apoiaram a causa da Revolução de 30 e desmontaram a estrutura do PRP (braço forte da Velha República, ou República dos Coronéis), leia-se Vicente Rao e Francisco Morato, manisfestaram seu descontentamento com a repressão, prisões e agressões aos povo paulista impetrado pelo regime de exceção. Eles exigiam um tratamento melhor, mas especialmente exigiam a convocação de eleições e de uma constituinte.

Getulio recuou. Mas não muito. Nomeou o embaixador Pedro de Toledo para interventor de São Paulo e assim, aparentemente atendeu os paulistas. O problema foi nomear o Secretariado.

Pressionado por Getúlio e pelos Tenentistas a aceitar ingerências em seu governo, ele reage e exige liberdade de ação. Getúlio ameaça tira-lo do cargo. Foi com esse clima de pressão que São Paulo acordou naquele distante dia 23 de maio de 1932.

Confira abaixo os fatos que precederam àquele fatídico dia em que as forças Getulistas atacaram, com metralhadoras, o povo concentrado na Praça da República, o que acabou culminando na maior Guerra Civil da história brasileira: O Movimento Constitucionalista de 1932.

Os acontecimentos do 23 de maio

O dia 23 de maio amanheceu tranqüilo na capital paulista. Menos nas ruas do centro, onde alguns “tiras” de Getúlio ocupavam pontos estratégicos. Sabia-se que o ministro Oswaldo Aranha estava na capital, e corria de boca em boca a noticia de que sua presença em São Paulo se dava para depor Pedro de Toledo. Rapidamente as ruas se viram tomadas pelo povo. A ocupação militar de São Paulo já havia enchido a paciência dos paulistas.

Os discursos começaram a espocar, aqui e ali. A atmosfera ficou eletrizada e todos, em altos brados, exigiam que o novo Secretariado de São Paulo fosse aclamado pelo próprio povo.

De repente, a multidão resolveu se dirigir até o Quartel das Forças Armadas. Ordenadamente, o povo se dirigiu ao Quartel. Quando atravessavam o Viaduto do Chá, estouraram “Vivas” a São Paulo e alguém gritou “Morte a ditadura”. Com essas palavras de ordem o cortejo chegou a Rua Conselheiro Crispiniano, onde ficava o Quartel.

Os líderes temiam ser recebidos sob fogo de metralhadoras. Lá, a surpresa. Os portões estavam abertos, escancarados. Diversos oficiais apareceram e se congratularam com os manifestantes. O Exército estava com São Paulo.

Calorosas palmas ecoaram por toda a rua. “Ao Quartel da Força Pública…ao Quartel da Força Pública”, passaram a gritar os manifestantes. E lá se foram eles. Ao chegarem, outra surpresa. Os portões estavam fechados.

Enquanto os líderes explicavam as razões do Movimento aos atentos oficiais, alguns integrantes da passeata forçaram a porta da sede da odiada Legião Revolucionária de Getúlio.

Uma gritaria começou no meio da praça. O povo estava sendo atacado a tiros. Correria, raiva, gritos, brigas e sangue. Pouco depois, 5 corpos jaziam no chão: Mario Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Drausio Marcondes de Souza, Antonio Américo de Camargo Andrade estavam mortos. Orlando de Oliveira Alvarenga, gravemente ferido (faleceria em um quarto de hospital no mês de agosto).

Revoltada, a multidão se dirigiu até o Palácio dos Campos Elíseos e gritou seu apoio a Pedro de Toledo.  São Paulo queria lutar.